Numa altura em que o cinema moçambicano volta a ocupar o centro do debate cultural, após o anúncio do encerramento da última sala comercial de cinema em funcionamento no país, a Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), através da Associação Cultural da Universidade Pedagógica (ACUP), promove, a partir de hoje 3 a 7 de Agosto, um Ciclo de Cinema Moçambicano dedicado à exibição de obras nacionais e ao diálogo entre realizadores, actores, estudantes e o público.
A iniciativa decorrerá diariamente, das 9h às 12h, no Centro de Línguas da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da UP-Maputo (Museu), com entrada livre, e pretende transformar a universidade num espaço de encontro para a reflexão sobre o cinema nacional, a sua história, os seus protagonistas e os desafios que se colocam ao sector.
O ciclo acontece num contexto particularmente significativo para o audiovisual moçambicano. O recente anúncio do encerramento da última sala comercial de cinema em Moçambique reacendeu o debate sobre os espaços de exibição, a circulação das obras nacionais e a necessidade de criação de novos mecanismos de acesso do público ao cinema produzido no país. Neste cenário, a realização de iniciativas académicas e culturais assume um papel relevante na preservação da cultura cinematográfica e na aproximação de novos públicos às produções nacionais.
Ao longo de cinco dias, serão exibidos alguns dos títulos mais representativos do cinema moçambicano contemporâneo, sempre seguidos de conversas com realizadores, actores e outros intervenientes das respectivas produções, proporcionando momentos de partilha de experiências e discussão sobre os processos criativos, os temas abordados e o percurso da cinematografia nacional.
A programação iniciou com a exibição do filme o “Comboio de Sal e Açúcar”, seguida de uma conversa com Licínio Azevedo e Aquirasse Nipita, moderada por Cledy Marinela.
No dia 4 de Agosto (amanhã) será apresentado “O Ancoradouro do Tempo”, com a participação de Sol de Carvalho e Horácio Guiamba, sob moderação de Amílcar Mascarenhas. A sessão de 5 de Agosto será dedicada ao filme “Avó Dezanove”, contando com João Ribeiro e Anabela Adrianópolis, moderados por Félix Mambucho. No dia 6 de Agosto será exibido “O Silêncio da Mulher”, seguido de uma conversa com Gabriel Mondlane e Júlia Novela, moderada por Daniel Tinga.
O ciclo encerra no dia 7 de Agosto com a exibição de “Penumbra e o Sonho”, acompanhada de um debate com Omar Faquirá e Jared Nota, sob moderação de José dos Remédios.
Segundo a ACUP, a iniciativa procura afirmar o cinema como instrumento de formação académica, valorização cultural e desenvolvimento do pensamento crítico, reforçando a ligação entre a comunidade universitária e os profissionais que têm contribuído para a construção da história do audiovisual moçambicano.
Mais do que uma mostra de filmes, o Ciclo de Cinema Moçambicano surge como um espaço de encontro entre diferentes gerações de criadores e espectadores, num momento em que o país é chamado a repensar as formas de preservar, exibir e valorizar a sua produção cinematográfica, perante os desafios colocados pela ausência de salas comerciais de cinema.
A organização convida estudantes, profissionais das indústrias culturais e criativas, investigadores e o público em geral a participar nas sessões, contribuindo para um debate que ultrapassa a exibição das obras e coloca o futuro do cinema moçambicano no centro da discussão.
Por: Gil Gune