Foi oficialmente lançada, nesta terça-feira, 7 de Julho, em Maputo, nas instalações da Incubadora do Standard Bank, a 8.ª edição do Standard Bank Luju Food & Lifestyle Festival, um dos mais prestigiados festivais de cultura, gastronomia e criatividade do continente africano, que decorrerá no emblemático recinto House on Fire, em Malkerns, Reino de Eswatíni. Sob o lema “Um Regresso ao Futuro Africano”, a edição de 2026 propõe uma celebração da identidade, da criatividade e do património cultural africano, colocando em destaque a riqueza das heranças ancestrais do continente, com especial enfoque na cultura e tradição do povo Nguni.

 

 

Muito mais do que um festival, o Luju consolidou-se, ao longo dos últimos oito anos, como uma das mais importantes plataformas africanas de internacionalização para artistas, estilistas, chefs, empreendedores criativos e marcas do continente, promovendo encontros, negócios, intercâmbios culturais e a mobilidade artística entre diferentes países da região.

 

Durante a cerimónia, foi reafirmado o compromisso de fortalecer a presença moçambicana no festival. Ao longo das edições anteriores, Moçambique destacou-se através da participação de alguns músicos, entre eles Radjha Ally, Xixel Langa, Wazimbo, The Hood Brodz, Rainha do Tufo- Dona Saquia, Prince Chone e diversos outros artistas que levaram o talento nacional aos palcos internacionais. Na moda, a criatividade moçambicana também conquistou espaço de destaque com a participação das marcas Xipixi, Xada Baba, Noki – Dilaila Romeu, Leão de Judá, Peças Únicas – Kirubi, OBS e da colecção Xigubo – King Levi, demonstrando a qualidade, autenticidade e capacidade competitiva do design nacional no panorama africano.

 

A gastronomia tem igualmente desempenhado um papel central nesta parceria. A presença anual de pratos típicos moçambicanos no festival tem reforçado a promoção da identidade culinária nacional, numa iniciativa iniciada pelo restaurante XIKAFU, braço gastronómico da XHUB, contribuindo para aproximar diferentes expressões culturais através da cozinha africana. Pela primeira vez, a edição de 2026 irá expandir significativamente este segmento, integrando novos chefs e designers moçambicanos na programação oficial, segundo o anúncio oficial feito durante a cerimónia de lançamento realizada na cidade de maputo.

 

Um dos momentos mais aguardados da cerimónia foi o anúncio das duas representações musicais moçambicanas confirmadas para esta edição. A cantora Neyma Alfredo foi apresentada como uma das grandes atracções do festival e actuará no Main Stage, levando a Marrabenta a um dos principais palcos do Luju, numa participação que reforça a valorização da música tradicional contemporânea de Moçambique. Foi igualmente apresentado o colectivo Katembe Conexion, um projecto artístico que reúne músicos de Moçambique e de Eswatíni, simbolizando a cooperação cultural entre os dois países e o fortalecimento dos laços criativos na região.

 

Na ocasião, o Director do Festival Luju, Jiggs Thorne, recordou que “o festival nasceu há cerca de oito anos com a missão de celebrar a criatividade africana” e afirmou que “Moçambique ocupa um lugar estratégico na visão do evento”, tanto de, “partilha de cultura, artística e acima de tudo na audiência do festival”. Explicou ainda que “a criação de um corredor entre incubadoras criativas, aliado à integração na rede IGODA, tem permitido facilitar a mobilidade artística regional e fortalecer as oportunidades de colaboração entre os países da África Austral”.

 

“Nesta edição queremos celebrar a nossa herança, reclamar a nossa identidade e utilizar o Luju como uma plataforma para esse propósito”, afirmou, agradecendo ainda a participação de Neyma Alfredo e dando as boas-vindas ao projecto Katembe Conexion, que classificou como um exemplo inspirador de cooperação artística entre Moçambique e Eswatíni, conclui Jiggs Thorne.

 

Durante o lançamento, a Directora Executiva da XHUB, Júlia Novela, destacou que a parceria entre a Khuzula, a XHUB, o Festival AZGO e o Festival Luju ultrapassou há muito a simples colaboração entre eventos, tornando-se uma verdadeira ponte de cooperação cultural entre Moçambique e Eswatíni. Segundo referiu, ao longo das últimas edições “a XHUB tem coordenado a participação da delegação moçambicana, garantindo que músicos, estilistas, empreendedores criativos, artistas visuais e representantes da gastronomia possam utilizar o festival como uma plataforma de internacionalização”.

 

Para Júlia Novela, cada participação representa muito mais do que uma presença artística. “Trata-se de uma oportunidade para fortalecer a diplomacia cultural, estimular o turismo, criar oportunidades de negócio e afirmar a economia criativa como um importante motor de desenvolvimento sustentável”.

 

Também presente na cerimónia, Matilde Muhocha, Secretaria de estado de Cultura e Turismo, considerou que o lançamento representa “um momento ímpar para criar sinergias de partilha de culturas”, sublinhando que “iniciativas desta natureza contribuem para o fortalecimento da economia criativa nacional e regional”.

 

Os organizadores revelaram ainda alguns números alcançados pela edição anterior do festival, que reuniu participantes provenientes de 26 países, gerou cerca de 650 empregos, contou com 47 artistas de três países, 11 designers de moda e movimentou aproximadamente 2,5 milhões de rands em receitas ao longo da sua cadeia de valor.

 

Com uma programação multidisciplinar que integra música, gastronomia, moda, artes visuais, bem-estar e empreendedorismo criativo, o Standard Bank Luju Food & Lifestyle Festival continua a afirmar-se como um dos maiores encontros culturais de África, reforçando, a cada edição, o papel de Moçambique como um dos seus principais parceiros estratégicos e protagonistas na promoção da criatividade africana.

 

 

Por: Gil Gune

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email
Print